segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Fundo de Recuperação começa esta semana a definir o futuro da "nova" Investvar


Porto, 14 Dez (Lusa) - O Fundo de Recuperação de Empresas, detido pelos cinco maiores bancos nacionais e pelo Tesouro, começa esta semana a trabalhar na reestruturação da Investvar, cujo capital assumiu por decisão do Ministério da Economia.
O modelo de viabilização foi anunciado quarta-feira pelo secretário de Estado Adjunto da Indústria e do Desenvolvimento e permitirá, segundo Fernando Medina, garantir a sustentabilidade do maior grupo português de calçado.
Conforme adiantou à agência Lusa fonte do Ministério da Economia, o Fundo de Recuperação terá agora cerca de um mês para convocar uma assembleia-geral da Investvar, em que deverá ser definida a nova administração da empresa.
A Lusa contactou a administração da ECS Capital, que gere o Fundo, mas não obteve mais esclarecimentos.
Segundo se lê no portal do ministério, o projecto de viabilização negociado entre o Estado e o Fundo de Recuperação visa promover a "retoma sustentada" da actividade industrial da Investvar, admitindo-se a "possível alienação" da actividade comercial após a cessação dos direitos de comercialização da marca Aerosoles na Europa, prevista para Março.
Isto implica a "necessária separação e gestão autónoma das actividades industrial e comercial da Investvar", já que o Ministério entende que "a degradação empresarial do grupo nos últimos anos resultou de uma actividade comercial sobredimensionada".
Com três fábricas - uma em Esmoriz e duas em Castelo de Paiva, com cerca de 650 trabalhadores - a Investvar possui ainda uma rede de 120 lojas na Europa.
Apesar de o modelo de viabilização assegurar "a manutenção de uma parte significativa dos postos de trabalho associados à actividade industrial", o sindicato diz ter sido informado pelo ministério da inevitabilidade de uma reestruturação.
"Há trabalhadores que irão ter que sair da empresa, ainda não sabemos quem e quantos, mas serão quer da parte industrial, quer comercial", disse à Lusa a dirigente sindical Fernanda Moreira.
Segundo a sindicalista, o número de trabalhadores a dispensar será ainda definido pela nova administração da empresa, mas Fernando Medina terá assegurado que o Governo iria "garantir o máximo possível de postos de trabalho e que maioria iria ser salvaguardada".
Entretanto, e de forma a "organizar o arranque da produção" da Investvar, cujas fábricas estão paradas, foi decidido o recurso ao 'lay-off', em princípio a partir do dia 15.
Em declarações à Lusa na quarta-feira, Fernando Medina salientou que o plano de recuperação "assegura três elementos fundamentais: a manutenção em Portugal de uma parte importante da produção industrial da empresa; uma solução que terá accionistas de natureza privada, a quem o Estado alienará as suas acções; e uma gestão privada que irá executar o plano de recuperação".
Na sua opinião, "esta é a melhor solução que foi possível encontrar" para a Investvar, porque, "além de garantir a manutenção da actividade industrial da empresa, assegura a propriedade totalmente privada da empresa, com a saída do Estado da posição de accionista onde estava colocado, bem como a sua gestão privada".

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Fotos sobre concelho Castelo de Paiva